a intimidade de um abraço
um beijo.
hoje, os beijos tornam-se triviais... o processo é simples: aproxima-se a face da face do outro...
o suficiente apenas para tocar ao de leve...
um beijo pode chegar a isto: um aproximar de faces.
há pouco tempo um amigo dizia-me que, nas despedidas, a palavra «abraços» era «para homens».
e no entanto... não poderá, o abraço, pressupor maior intimidade do que o beijo?
a propósito do abraço, Roland Barthes escrevia no livro «Fragmentos de um discurso amoroso» [obrigada IF]:
«Fora do acasalamento (para o diabo, então, com o Imaginário), há este outro abraço, que é um enlace imóvel: estamos encantados, enfeitiçados: estamos no sono, sem dormir; estamos na voluptuosidade infantil do adormecimento: é o momento das histórias contadas, o momento da voz, que me vem fixar, siderar, é o retorno à mãe («na calma dos teus braços amantes», diz uma poesia musicada por Duparc). Neste incesto reconduzido, tudo então fica suspenso: o tempo, a lei, o proibido: nada se esgota, nada se quer: todos os desejos estão abolidos pois parecem definitivamente realizados.»
hoje, os beijos tornam-se triviais... o processo é simples: aproxima-se a face da face do outro...
o suficiente apenas para tocar ao de leve...
um beijo pode chegar a isto: um aproximar de faces.
há pouco tempo um amigo dizia-me que, nas despedidas, a palavra «abraços» era «para homens».
e no entanto... não poderá, o abraço, pressupor maior intimidade do que o beijo?
a propósito do abraço, Roland Barthes escrevia no livro «Fragmentos de um discurso amoroso» [obrigada IF]:
«Fora do acasalamento (para o diabo, então, com o Imaginário), há este outro abraço, que é um enlace imóvel: estamos encantados, enfeitiçados: estamos no sono, sem dormir; estamos na voluptuosidade infantil do adormecimento: é o momento das histórias contadas, o momento da voz, que me vem fixar, siderar, é o retorno à mãe («na calma dos teus braços amantes», diz uma poesia musicada por Duparc). Neste incesto reconduzido, tudo então fica suspenso: o tempo, a lei, o proibido: nada se esgota, nada se quer: todos os desejos estão abolidos pois parecem definitivamente realizados.»
«chats»
há muito tempo que não escrevo nada aqui... a razão é simples: ando às voltas com o HTML... a descobrir formas de formatar dados... a letra está melhor... os links já abrem em novas janelas... falta o tamanho da letra dos títulos... que eu hei-de descobrir como alterar...
ontem, estive pela primeira vez num «chat»... é uma sensação estranha... as pessoas reúnem-se ali... sem saberem nada umas das outras... com o objectivo de conversarem sem estarem agarradas a uma imagem...
e no entanto...
a dificuldade de meter conversa ou a dificuldade de ganhar a intimidade da conversa torna-se pretexto para questões sobre imagens de quem pergunta e de quem responde...
assim, instintivamente...
as emoções tornam-se vitais num meio frio como na máquina que um computador é. A necessidade de um sorriso, premente, despoleta um :)... inventa-se uma nova linguagem, somos confrontados com imagens (porque as pessoas, com o decorrer da conversa, tornam-se imagens) e a solidão acalma...
conversa-se pelo prazer da conversa ou pelo prazer da companhia?
às vezes têm-se sorte. e ao prazer da conversa junta-se o prazer da companhia «que não existe»...
ontem, estive pela primeira vez num «chat»... é uma sensação estranha... as pessoas reúnem-se ali... sem saberem nada umas das outras... com o objectivo de conversarem sem estarem agarradas a uma imagem...
e no entanto...
a dificuldade de meter conversa ou a dificuldade de ganhar a intimidade da conversa torna-se pretexto para questões sobre imagens de quem pergunta e de quem responde...
assim, instintivamente...
as emoções tornam-se vitais num meio frio como na máquina que um computador é. A necessidade de um sorriso, premente, despoleta um :)... inventa-se uma nova linguagem, somos confrontados com imagens (porque as pessoas, com o decorrer da conversa, tornam-se imagens) e a solidão acalma...
conversa-se pelo prazer da conversa ou pelo prazer da companhia?
às vezes têm-se sorte. e ao prazer da conversa junta-se o prazer da companhia «que não existe»...